Bem,
Já faz algum tempo que penso em ingressar neste mundo da comunicação virtual. Finalmente aqui estou.
O objetivo desse blog é bem restrito. Nele pretendo discutir coisas da política cachoeirense, principalmente o comportamento dos meios de comunicação locais, com destaque para os jornais impressos, mas nem só isso. Usarei com frequência este espaço para espressar meus pensamentos sobre a política local e, porque não, universal.
Prá começar um rápido comentário sobre a cobertura do carnaval cachoeirense deste ano.
Todos concordam que foi um carnaval muito pacífico e organizado. Todos comentam também que a mídia local e regional o ignorou. As pessoas nos abordam nas ruas para comentar coisas do tipo "se tivesse morrido uns dois ou três, eles teriam coberto". São sinais claros de que a mídia está cada vez mais desacreditada por todos.
Mas a Folha do Espírito Santo ultrapassou todas as fronteiras da descência e do jornalismo.
A manchete de capa já dava o tom 'COM TENTATIVA DE ESTUPRO, CARNAVAL FOI CONSIDERADO TRANQUILO".
Pode parecer desnecessário apontar a sutileza, mas não resisto: a manchete quer deixar transparecer que aqueles que cosideraram o carnavasl tranquilo não dão nenhuma importância à tentativa de estupro. Primor de manchete. Abre-se o jornal e procura-se a matéria que está obviamente na página policial, assinada pelo jornalista (?) Ronaldo Indio Brasil e começa assim:
"Copos descartáveis no chão, confetes, paetês, fantasias e muito lixo espalhado nas ruas de Cachoeiro de Itapemirim. Mas não é só lixo que o ficou com o final do carnaval 2009. Dezenas de ocorrências, mortes e uma tentativa de estupros foram registradas durante o feriado prolongado foram registradas. Apesar da violência, o índice foi considerado pelas autoridades o mais baixo desde que os shows acontecem na Linha Vermelha".
Este é o leed.
Vejam a cara de pau desse tipo de jornalismo. Mesmo com toda a tranquilidade do carnaval, os foliões sujaram a cidade de copos , garrafas descartáveis e confetes, e as autoridades ainda o consideram o mais calmo desde sempre.
O "jornalista" parece lamentar que entre os confetes e papeis sujos não se encontre nenhum cadáver.
Seguimos lendo a matéria: por ela sabemos que entre 21 e 24 de fevereiro passaram pelo IML oito vítimas "entre acidentados e assassinados". Aqui ele foi obrigado e recolher todas as ocorrências da cidade e da região, chegando a listar um lavrador esfaqueado em Ibitirama, que fica a alguns quilômetros da cidade.
Veja o próximo parágrafo da "matéria":
No Instituto Médico Legal (IML) do dia 21 ao 24 de fevereiro deram passagem oito vítimas, entre acidentes e assassinatos: "Reginaldo Antônio Procópio Augusto, pintor, morador do bairro Novo Parque, em Cachoeiro; Fabrício da Silva Nobre, 22 anos, lavrador, morador de Brejo dos Patos; José Padilha de Araújo, 60 anos, lavrador, vítima de arma branca, morador de Ibitirama; Rodrigo Ambrósio Couto, 24 anos, morador do bairro Santa Cecília, em Cachoeiro, vítima de acidente automobilístico; Elivelton dos Santos, 16 anos, morreu afogado no Rio Itapemirim; Francisco Carlos Cardoso, de 48 anos, vítima de enforcamento, morador de Venda Nova; e outros dois corpos deram entrada sem identificação".
Neste tipo de jornalismo, o importante é negar que o carnaval local foi um sucesso. Sigamos lendo a estoria:
"Além das mortes, crimes considerados de pequeno porte também foram registrados na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio. Foram 16 ocorrências, entre furtos de veículos e a pessoa física e também em residências.
Já na Delegacia de Infrações Penais e Outras, 10 ocorrências foram registradas. Pequenas brigas movimentaram o plantão, mas o caso mais grave foi a tentativa de estupro contra uma menina menor de idade, de 15 anos. O crime aconteceu no bairro Boa Vista, em Cachoeiro de Itapemirim".
Vejam a cara de pau de nosso colega jornalista: confirmou que houve mortes durante o carnaval, pouco importando que algumas mortes não acontecessem na cidade e muito menos que nenhuma das ocorrência tem a ver com o carnaval em si, pois não ocorreram no local da festa momesca.
Por fim vamos ao parágrafo final:
"Apesar das dezenas de ocorrências, as autoridades disseram que este ano foi o carnaval mais tranqüilo. Na Linha Vermelha, onde aconteceu a festa, circularam cerca de 10 mil pessoas. O número alto de efetivos da Polícia Militar dificultou a ação de vândalos e nenhuma outra ocorrência mais grave foi registrada".
Pronto, confirmaram que "apesar das dezenas de mortes" as autoridades insensíveis e irresponsáveis "disseram que esse foi o carnaval mais tranquilo. Mas, para não deixar dúvidas, o "jornalista", frisa que isso foi graças ao grande efetivo de policiais presentes na linha vermelha "onde circularam 10 mil pessoas".
Bom se foram dez mil pessoas em todo o carnaval dá uma média de duas mil por noite, um fiasco de carnaval se considerarmos que a cidade tem cerca de duzentos mil habitantes.
Esse é o jornalismo praticado nestas terras do saudoso Rubem Braga.
Um último alerta: o dono do jornal é um homem temente a Deus, será que ele está metindo?
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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Vejo que as coisas não mudaram muito por aí. Cuidado com essa coisa de comentar o jornalismo de Cachoeiro. Assim a imprensa morena e temente a Deus pode ter mais projeção que a que consegue com o direito de escoiciar. E é bom não generalizar, afinal sempre ha gente séria no mundo da comunicação.
ResponderExcluirJoão Moraes