Peraltices desmascararam o governo
Antonio Fernando de Souza
Os episódios envolvendo estudantes e a policia militar do Espírito Santo, na semana passada e, há alguns dias, a mesma polícia, por meio de seu Batalhão de Missões Especiais, e trabalhadores sem teto no município de Aracruz, devem acender um alerta para todos os democratas desse estado. Afinal, tratamento policial para as questões sociais num governo que iniciou anunciando que prezará pelo diálogo, não é uma contradição desprezível. Ainda mais quando esse mesmo governo está em franco processo de discussão pública sobre a elaboração do Plano Plurianual de Aplicações, o PPA.
Trata-se de um governo que se diz democrático e socialista, encabeçado por um governador do PSB, que iniciou sua militância no movimento estudantil e se orgulha disso, ou pelo menos diz se orgulhar. Esse mesmo governador tem como vice um quadro do Partido dos Trabalhadores que em todas as suas campanhas faz referência ao seu passado de militância nas Comunidades Eclesiais de Base, as famosas CEBs da Igreja Católica, fortemente influenciadas pela Teologia da Libertação que, por sua vez, prega sua “opção preferencial pelos pobres”.
A ação do BME (Bate, Mata e Espanca, segundo uma das faixas vistas na manifestação da última sexta-feira), maculou não só a imagem do governo em seu primeiro semestre, como também atingiu a imagem da própria PM que vem fazendo um grande esforço para melhorar sua relação com a população em geral, seja na tentativa de retomar o projeto de polícia interativa, seja na sua busca de integração com os outros órgãos governamentais nos chamados Territórios da Paz. Como explicar essa aparente contradição?
Se olharmos com atenção as forças políticas que compõem este governo, talvez encontremos uma explicação. Se é verdade que o PT e o PSB, com o seu passado de democracia e de relação com os movimentos sociais encabeçam esse governo, também é verdade que as forças da reação também estão fartamente representadas em seu interior. Pessoas, grupos empresariais e partidos ligados aos velhos grupos reacionários que construíram o estado na mais verdadeira e violenta truculência contra os mais pobres ocupam cargos importantes neste governo.
A turma que historicamente dominou esse estado, colocando-o a serviço de seus interesses contra os das massas populares, ao que parece, prevaleceu nestes dois episódios e impôs seu velho método truculento e violento ante as organizações e manifestações do povo, levando o governo a uma série de erros que acabaram resultando numa grande derrota política e numa enorme sensação de desilusão naqueles que, como eu, votaram no atual governador na esperança de ver os interesses da maioria prevalecerem sobre os do pequeno grupo que há década comanda esse estado e impõe a todos, pela força e pela violência, um silêncio sepulcral.
Resultado: o candidato que derrotou as forças do atraso impondo sua candidatura e sua vitória eleitoral, tornando-se o governador dos progressistas do Espírito Santo, sofreu uma grave derrota política ao atacar violentamente estas forças, apenas por fazer questão demonstrar força sobre algumas dezenas de jovens que confundiram organização política e manifestação pública com peraltices da adolescência. Lamentável!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Falando de rebeldi
Só a rebeldia muda o mundo
Antonio Fernando de Souza
Quem tem como única ou principal fonte de informação os chamados jornalões ou, como é o caso da maioria do nosso povo, a televisão, deve ter dificuldades de entender fenômenos sociais noticiados repentinamente sem que se soubessem antes da existência dos chamados fatos geradores, como foi o caso recente das revoltas populares no Norte da África. Parece que tudo começou de repente como num passe de mágica. O pior são os tais “especialistas” chamados a comentar os fatos. Às vezes da vontade de rir da cara-de-pau deles.
Agora mesmo estão ocorrendo grandes e significativas manifestações de massa na Grécia (oito greves gerais nos últimos 12 meses), Portugal (a maior greve desde a revolução dos cravos), greve geral na Espanha onde ocorreu recentemente uma manifestação gigante contra o governo da qual quase nada se soube pela velha mídia. Nos Estados Unidos, a partir do estado de Winsconsin, os trabalhadores têm protagonizado manifestações que chamam a atenção do mundo pelo tamanho e pela radicalidade. Mas para os grandes meios de comunicação desse imenso país, nada disso merece ser notícia.
Por que essa cegueira? Difícil saber. Uma das possíveis respostas seria o colonialismo subserviente de nossas agências noticiosas, que parecem evitar notícias desagradáveis ao grande capital. Pode ser também que nossos editores não considerem mesmo digno de notícia uma manifestação de trabalhadores (centenas de milhares) nas capitais européias e na terra do Tio Sam.
Mas também pode ser por que eles (os editores) não queiram deixar que a massa perceba que as manifestações de rua mais ou menos radicalizadas são normais em qualquer democracia, assim fica mais fácil chamar as nossas manifestações de baderna, ou coisa pior, como costumam fazer. Afinal os nossos “democratas” detestam povo organizado e se manifestando. Eles sabem que um povo que aprende com o outro a lutar para mudar sua realidade representa um grande perigo para seus privilégios.
Enfim, são muitas as possíveis razão, mas uma coisa é certa: o que eles não querem e ver e ouvir os seus “especialistas” de aluguel terem de reconhecer ao vivo e a cores que as grandes mazelas sofridas pelo nosso povo decorrem das relações internacionais cujo objetivo maior é penalizar os mais pobres em detrimento dos mais ricos e são comandadas pelos tais organismos internacionais hoje em benefício de um sistema financeiro internacional falido que sobrevive como parasitas do dinheiro que deveria estar indo para os serviços públicos.
Essa é, a meu ver, o principal motivo pelo qual os meios que tanto falam em conteúdos e credibilidades, arriscarem tanto negligenciando fatos de grande importância na esperança que eles se resolvam sem que eles sejam obrigados a noticiar.
Mas independente da vontade dos donos da mídia os fatos estão se dando e os povos de todos os continentes estão nas ruas em luta dura e sem tréguas contra o sistema que cobra dos pobres os prejuízos causados pela ganância de banqueiros e seus executivos inescrupulosos que, mancomunados com os tais organismos multilaterais, chantageiam governos em todos os países com o objetivo de garantir seus polpudos lucros à custa dos mais pobres.
Só não sei até quando eles vão continuar fazendo isso, os povos estão se juntando e, ao contrário do que desejavam as elites de todo o mundo, sua principal ferramenta de mobilização tem sido até aqui a internet, que parecia estar levando a todos e principalmente os mais jovens para uma vida isolada em que os contatos sociais seriam intermediados pelo frio computador.
Antonio Fernando de Souza
Quem tem como única ou principal fonte de informação os chamados jornalões ou, como é o caso da maioria do nosso povo, a televisão, deve ter dificuldades de entender fenômenos sociais noticiados repentinamente sem que se soubessem antes da existência dos chamados fatos geradores, como foi o caso recente das revoltas populares no Norte da África. Parece que tudo começou de repente como num passe de mágica. O pior são os tais “especialistas” chamados a comentar os fatos. Às vezes da vontade de rir da cara-de-pau deles.
Agora mesmo estão ocorrendo grandes e significativas manifestações de massa na Grécia (oito greves gerais nos últimos 12 meses), Portugal (a maior greve desde a revolução dos cravos), greve geral na Espanha onde ocorreu recentemente uma manifestação gigante contra o governo da qual quase nada se soube pela velha mídia. Nos Estados Unidos, a partir do estado de Winsconsin, os trabalhadores têm protagonizado manifestações que chamam a atenção do mundo pelo tamanho e pela radicalidade. Mas para os grandes meios de comunicação desse imenso país, nada disso merece ser notícia.
Por que essa cegueira? Difícil saber. Uma das possíveis respostas seria o colonialismo subserviente de nossas agências noticiosas, que parecem evitar notícias desagradáveis ao grande capital. Pode ser também que nossos editores não considerem mesmo digno de notícia uma manifestação de trabalhadores (centenas de milhares) nas capitais européias e na terra do Tio Sam.
Mas também pode ser por que eles (os editores) não queiram deixar que a massa perceba que as manifestações de rua mais ou menos radicalizadas são normais em qualquer democracia, assim fica mais fácil chamar as nossas manifestações de baderna, ou coisa pior, como costumam fazer. Afinal os nossos “democratas” detestam povo organizado e se manifestando. Eles sabem que um povo que aprende com o outro a lutar para mudar sua realidade representa um grande perigo para seus privilégios.
Enfim, são muitas as possíveis razão, mas uma coisa é certa: o que eles não querem e ver e ouvir os seus “especialistas” de aluguel terem de reconhecer ao vivo e a cores que as grandes mazelas sofridas pelo nosso povo decorrem das relações internacionais cujo objetivo maior é penalizar os mais pobres em detrimento dos mais ricos e são comandadas pelos tais organismos internacionais hoje em benefício de um sistema financeiro internacional falido que sobrevive como parasitas do dinheiro que deveria estar indo para os serviços públicos.
Essa é, a meu ver, o principal motivo pelo qual os meios que tanto falam em conteúdos e credibilidades, arriscarem tanto negligenciando fatos de grande importância na esperança que eles se resolvam sem que eles sejam obrigados a noticiar.
Mas independente da vontade dos donos da mídia os fatos estão se dando e os povos de todos os continentes estão nas ruas em luta dura e sem tréguas contra o sistema que cobra dos pobres os prejuízos causados pela ganância de banqueiros e seus executivos inescrupulosos que, mancomunados com os tais organismos multilaterais, chantageiam governos em todos os países com o objetivo de garantir seus polpudos lucros à custa dos mais pobres.
Só não sei até quando eles vão continuar fazendo isso, os povos estão se juntando e, ao contrário do que desejavam as elites de todo o mundo, sua principal ferramenta de mobilização tem sido até aqui a internet, que parecia estar levando a todos e principalmente os mais jovens para uma vida isolada em que os contatos sociais seriam intermediados pelo frio computador.
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