quarta-feira, 16 de março de 2011

Sobre Formadores de Opinião e outros mitos

15/3/2011


Por Antônio Fernando de Souza


Não sei de onde surgiu o termo “formadores de opinião”, tão usado por pessoas auto-intituladas pensantes nos dias atuais. Mas também tenho meus (pré) conceitos e arrisco dizer que esse é um dos vários neologismos criados por certas “elites” que viram-se forçadas a substituir o surrado “pobre é burro”, com que se referiam às classes populares.



Mas não importa a origem. O que importa, ao menos para os objetivos desse texto, é refletir sobre o processo que faz os pretensos formadores de opinião de nossa querida Cachoeiro têm suas próprias opiniões formadas (hegemonizadas?) por meios duvidosos, reproduzindo visões superficiais e muitas vezes preconcebidas de diversos fenômenos, resguardando as honrosas e escassas exceções, é claro.



Mas me parece curioso, senão cômico, o pedantismo de seres “pensantes” repetindo chavões preconceituosos sobre hábitos e costumes de nosso povo, sobre política, economia, política externa e o que mais resolvem reproduzir de pernósticos regiamente pagos nos panfletos da direita nacional, como se fossem verdades absolutas.



Um exemplo: recentemente ouvi e vi pela TV dois cachoeirenses avaliando os primeiros dois meses do governo Dilma: diziam que não votaram nela e que Lula foi um péssimo presidente, enquanto elogiavam o corte do orçamento em 50 bilhões. Segundo eles, essa medida iria sanear as contas nacionais colocando a economia do país nos trilhos, visto que Lula a teria deixado aos frangalhos com sua gastança populista e irresponsável.



Outro exemplo: quando o prefeito municipal discordou da avaliação dos “formadores de opinião” acerca de uma pesquisa sobre o seu governo, houve uma reação furibunda e até raivosa, por que o prefeito estaria contra a maioria do povo e “só enxerga o que quer”.



Quanta contradição! O presidente Lula sai do governo muito bem avaliado pelo povo em geral e reconhecido pela comunidade internacional. Mas, para os nossos formadores de opinião ele foi um péssimo presidente. Nenhuma palavra sobre não respeitar a opinião da maioria.



Ora, o mesmo governo que cortou o orçamento da união em 50 bi, aumentou os juros em mais 0,5% nos seus dois primeiros meses governo, sobre isso, nossos geniais analistas nada falaram. Será que não sabem que o aumento de juros representa um aumento nos gastos em muito mais do que os 50 bi economizados? Será que essas pessoas tão inteligentes e bem informadas não sabem que o orçamento público ao final de cada exercício tem que ser zerado?

Penso que os tais “formadores de opinião” sabem, mas não querem dizer, que quando o governo realiza cortes orçamentários e ao mesmo tempo aumenta os juros está tirando dinheiro dos serviços públicos (saúde, educação, segurança e infra-estrutura, por exemplo) em benefício dos mais ricos, dos que especulam na banca financeira, em detrimento do povo, do crescimento do país, da geração de empregos e de mais investimentos.



Parece piada, mas não é: os analistas que discordam do prefeito em sua maioria não votaram nele, estiveram com outros candidatos até o último dia e nunca acreditaram que o atual prefeito pudesse ganhar as eleições em 2008. Agora acendem um alerta porque, parecem torcer pela sua reeleição e já o culpam se ela não ocorrer. O pior é entre sinceros eleitores de Casteglione e até mesmo entre membros do seu governo, sem falar nos filiados ao seu partido, os tais opiniões ecoam. Será esse o objetivo destes analistas?



Pode até ser, mas prefiro acreditar em outra hipótese: ao que parece, estas pessoas se acreditam mesmo “formadores de opinião”, assim, quando as pesquisas indicam que a maioria concorda com suas opiniões, eles sentem-se ofendidos pelos que discordam e assumem o risco de ser minoria; porém, quando a maioria discorda de suas opiniões, eles dizem que o povo está sendo manipulado, ou melhor, não usam mais esse termo, agora dizem que a massa está sob “controle social” (sic).

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