quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sobre repressão ao estudantes em Vitória

Peraltices desmascararam o governo
Antonio Fernando de Souza
Os episódios envolvendo estudantes e a policia militar do Espírito Santo, na semana passada e, há alguns dias, a mesma polícia, por meio de seu Batalhão de Missões Especiais, e trabalhadores sem teto no município de Aracruz, devem acender um alerta para todos os democratas desse estado. Afinal, tratamento policial para as questões sociais num governo que iniciou anunciando que prezará pelo diálogo, não é uma contradição desprezível. Ainda mais quando esse mesmo governo está em franco processo de discussão pública sobre a elaboração do Plano Plurianual de Aplicações, o PPA.
Trata-se de um governo que se diz democrático e socialista, encabeçado por um governador do PSB, que iniciou sua militância no movimento estudantil e se orgulha disso, ou pelo menos diz se orgulhar. Esse mesmo governador tem como vice um quadro do Partido dos Trabalhadores que em todas as suas campanhas faz referência ao seu passado de militância nas Comunidades Eclesiais de Base, as famosas CEBs da Igreja Católica, fortemente influenciadas pela Teologia da Libertação que, por sua vez, prega sua “opção preferencial pelos pobres”.
A ação do BME (Bate, Mata e Espanca, segundo uma das faixas vistas na manifestação da última sexta-feira), maculou não só a imagem do governo em seu primeiro semestre, como também atingiu a imagem da própria PM que vem fazendo um grande esforço para melhorar sua relação com a população em geral, seja na tentativa de retomar o projeto de polícia interativa, seja na sua busca de integração com os outros órgãos governamentais nos chamados Territórios da Paz. Como explicar essa aparente contradição?
Se olharmos com atenção as forças políticas que compõem este governo, talvez encontremos uma explicação. Se é verdade que o PT e o PSB, com o seu passado de democracia e de relação com os movimentos sociais encabeçam esse governo, também é verdade que as forças da reação também estão fartamente representadas em seu interior. Pessoas, grupos empresariais e partidos ligados aos velhos grupos reacionários que construíram o estado na mais verdadeira e violenta truculência contra os mais pobres ocupam cargos importantes neste governo.
A turma que historicamente dominou esse estado, colocando-o a serviço de seus interesses contra os das massas populares, ao que parece, prevaleceu nestes dois episódios e impôs seu velho método truculento e violento ante as organizações e manifestações do povo, levando o governo a uma série de erros que acabaram resultando numa grande derrota política e numa enorme sensação de desilusão naqueles que, como eu, votaram no atual governador na esperança de ver os interesses da maioria prevalecerem sobre os do pequeno grupo que há década comanda esse estado e impõe a todos, pela força e pela violência, um silêncio sepulcral.
Resultado: o candidato que derrotou as forças do atraso impondo sua candidatura e sua vitória eleitoral, tornando-se o governador dos progressistas do Espírito Santo, sofreu uma grave derrota política ao atacar violentamente estas forças, apenas por fazer questão demonstrar força sobre algumas dezenas de jovens que confundiram organização política e manifestação pública com peraltices da adolescência. Lamentável!

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