Só a rebeldia muda o mundo
Antonio Fernando de Souza
Quem tem como única ou principal fonte de informação os chamados jornalões ou, como é o caso da maioria do nosso povo, a televisão, deve ter dificuldades de entender fenômenos sociais noticiados repentinamente sem que se soubessem antes da existência dos chamados fatos geradores, como foi o caso recente das revoltas populares no Norte da África. Parece que tudo começou de repente como num passe de mágica. O pior são os tais “especialistas” chamados a comentar os fatos. Às vezes da vontade de rir da cara-de-pau deles.
Agora mesmo estão ocorrendo grandes e significativas manifestações de massa na Grécia (oito greves gerais nos últimos 12 meses), Portugal (a maior greve desde a revolução dos cravos), greve geral na Espanha onde ocorreu recentemente uma manifestação gigante contra o governo da qual quase nada se soube pela velha mídia. Nos Estados Unidos, a partir do estado de Winsconsin, os trabalhadores têm protagonizado manifestações que chamam a atenção do mundo pelo tamanho e pela radicalidade. Mas para os grandes meios de comunicação desse imenso país, nada disso merece ser notícia.
Por que essa cegueira? Difícil saber. Uma das possíveis respostas seria o colonialismo subserviente de nossas agências noticiosas, que parecem evitar notícias desagradáveis ao grande capital. Pode ser também que nossos editores não considerem mesmo digno de notícia uma manifestação de trabalhadores (centenas de milhares) nas capitais européias e na terra do Tio Sam.
Mas também pode ser por que eles (os editores) não queiram deixar que a massa perceba que as manifestações de rua mais ou menos radicalizadas são normais em qualquer democracia, assim fica mais fácil chamar as nossas manifestações de baderna, ou coisa pior, como costumam fazer. Afinal os nossos “democratas” detestam povo organizado e se manifestando. Eles sabem que um povo que aprende com o outro a lutar para mudar sua realidade representa um grande perigo para seus privilégios.
Enfim, são muitas as possíveis razão, mas uma coisa é certa: o que eles não querem e ver e ouvir os seus “especialistas” de aluguel terem de reconhecer ao vivo e a cores que as grandes mazelas sofridas pelo nosso povo decorrem das relações internacionais cujo objetivo maior é penalizar os mais pobres em detrimento dos mais ricos e são comandadas pelos tais organismos internacionais hoje em benefício de um sistema financeiro internacional falido que sobrevive como parasitas do dinheiro que deveria estar indo para os serviços públicos.
Essa é, a meu ver, o principal motivo pelo qual os meios que tanto falam em conteúdos e credibilidades, arriscarem tanto negligenciando fatos de grande importância na esperança que eles se resolvam sem que eles sejam obrigados a noticiar.
Mas independente da vontade dos donos da mídia os fatos estão se dando e os povos de todos os continentes estão nas ruas em luta dura e sem tréguas contra o sistema que cobra dos pobres os prejuízos causados pela ganância de banqueiros e seus executivos inescrupulosos que, mancomunados com os tais organismos multilaterais, chantageiam governos em todos os países com o objetivo de garantir seus polpudos lucros à custa dos mais pobres.
Só não sei até quando eles vão continuar fazendo isso, os povos estão se juntando e, ao contrário do que desejavam as elites de todo o mundo, sua principal ferramenta de mobilização tem sido até aqui a internet, que parecia estar levando a todos e principalmente os mais jovens para uma vida isolada em que os contatos sociais seriam intermediados pelo frio computador.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário