quinta-feira, 5 de março de 2009

Devaneios em dia de calor

Tenho me esforçado para manter as postagens diárias necessárias a um blog que se preza. Mas a vida tem sido corrida por aqui e os fatos se sucedem com uma rapidez de assustar qualquer baiano. Mas vamos lá:

Os últimos dias foram fartos:

O jornal que critiquei na primeira postagem, por si só, já é um fenômeno. Mas, seguindo as orientações do meu querido leitor da patuléia (já tenho um leitor além de meus dois filhos. É o sucesso chegando), não vou valorizar demais este tal jornal. Até porque o seu diretor, que também mantém um blog, anda incomodado por não encontrar com quem polemizar. Tá com a corda toda, como diriam os mais antigos.

Andou plantando nota profetizando que certo senador do ES pode “entrar em decadência” e logo depois (de uma visita do senador) explicou que o mesmo pode entrar em decadência na cotação para governador e não para senador ou até presidente “visto que está ganhando todos os espaços por meio da CPI da pedofilia”.

Em seguida, usou a sua coluna “Palanque” para atacar o Deputado Estadual e ex-prefeito de Cachoeiro, chamando-o entre outras coisas de burro e ignorante. Ato contínuo deslanchou o ex-presidente da república por ter defendido mudanças na política de combate às drogas.

O texto sobre FHC foi um primor de cinismo, hipocrisia, fundamentalismo religioso e... desinformação. Segundo o texto, FHC teria uma boca muito grande, por isso, de uma tragada só, fumaria uma quantidade tal ficaria alguns anos sem falar besteiras.

Se houvesse alguma droga capaz de amenizar a vaidade de FHC, eu juro que faria uma campanha para lhe fornecer gratuitamente tal porção milagrosa.

Mas para esse tipo de jornalista não é necessário confirmar suas informações. FHC não defendeu a descriminalização da maconha, apenas disse que a política da repressão fracassou.

Mas “nosso companheiro, o jornalista...” (quem se lembra dos apresentadores do JN se referindo assim ao patrão em rede nacional?) está mesmo em período fértil: publicou uma entrevista dele, com ele, no jornal dele. Quem conhece essa cidade sabe o que isso significa, mas para os que não conhecem eu vou dizer: ele está avisando a todos que não há reputação livre de sua sanha devastadora.

Hoje ele atacou a secretária municipal de saúde e por tabela o governo municipal. Segundo ele, o modo petista de governar todos já deviam conhecer, é muita reunião e pouca ação e, por isso, se a secretária não tem condições de fazer funcionar a saúde local, que saia. Chega a ser paternal o manda-chuva. Chama a secretária pelo nome e de minha filha para dizer em tom de ameaça: saia daí!

Não conheço a secretária de saúde, mas já estou até simpática a ela só de saber que o grande jornalista em questão não lhe tem simpatia.

Nestas ocasiões, lembro sempre do Millôr Fernandes e repito: Algumas pessoas, quando nos elogiam, nós envaidecidos agradecemos. A outras, nós envergonhados devolvemos”.

Parece que o novo governo vai ter mesmo problemas por aqui. O velho modo de fazer as coisas de qualquer jeito, tendo sempre manchetes fortes a destacar a ousadia e a coragem de realizador, apesar e acima das leis, deixou muitos herdeiros. Mais a mais, se a grande imprensa nacional está cada vez mais envolvida na grande disputa nacional entre o PT e o PSDB, e está do lado que sempre esteve, não seria aqui em Cachoeiro, em um jornal cada vez mais fundamentalista, que seria diferente.

E pensar que entre os grandes jornalistas que atuaram nesta cidade, já tivemos até o Sérgio Buarque de Holanda.

Vida que segue....

PS. OMas o prefeito tem sorte. Não é que agora, depois de 14 anos, o Rei resolver vir à sua terra comemorar seu aniversário junto aos conterrâneos? Mas isso é assunto para outro post.

Um comentário:

  1. Meu bom,o rei Roberto sabe o que faz, lembro bem de quando esteve aí para a inauguração do santuário ecológico, mais uma das criações lisérgicas do antigo dono daí(lembram das águias?). lembro que o Braga - não o Rubem - desceu de helicóptero em meio a uma nuvem infernal de poeira indissipável. Imaginem o último romântico enfrentando as bactérias suspensas no ar quente da princesa do sul e ainda tendo que ser sapremado por abraços amistosos e calorentos do Amaral, e de um tanto de outros minichefes do legislativo de outrora. O rei estava tão a vontade quanto se estivesse berrando uma canção gutural do Sepultura ou dando um beijo na boca do Caetano.
    Na época eu não fazia filmes, mas em tempo algum imaginaria um roteiro tão improvável.

    Quanto ao Sérgio Buarque de Holanda, que mais tarde virou pai do chico, ele iniciou os esboços de Raízes do Brasil enquanto esteve por aí em 1925. Ocasião que aproveitou, segundo Manoel Bandeira, para descerabralisar seu jeitão precocemente serioso e macambúzio. É certo que o Serjão fez parte do Clube do Alcatrão -sic- o que significa dizer que era um adorador do frugal conhaque de alcatrão São joão da barra; ele e mais meia dúzia de grandes intelectuais que declino nominar aqui. Pois bem, se a birita é uma droga, o conhaque de alcatrão é o píncaro desses alteradores líquidos. como sociólogo botou, com sobra, os FHCs da vida no bolso, como jornalista nem precisa falar. Pena que nunca foi Senador e assim me impede outros comparativos.
    Saiba, meu bom blogueiro, Cachoeiro tem tudo para vicejar, assim que as mesmas fichas que caíram na última eleição tilintarem na cabeça do imaginário popular. Quando isso acontecer, finalmente o atraso vai passar.

    João Moraes

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